Palestrantes: Brena Correa e Ariran Albuquerque

A palestra “Música Como Ferramenta Antirracista” ocupou o Salão Voz Coletiva da Casa Dourada com muita potência, afirmando desde o início a música como instrumento de combate ao racismo. Os percussionistas da Banda Afro Axé Dudu — e também militantes, filhos da família fundadora do Centro de Estudo e Defesa do Negro (Cedenpa) — Brena Corrêa e Ariran Albuquerque compartilharam suas trajetórias e refletiram sobre o papel da cultura nessa luta.

Segundo Brena, a música é uma ferramenta constante em sua vida: “a nossa família consegue combater o racismo através da cultura. Uns tocam, cantam, dançam e outros interpretam. A gente segue nesse viés de enfrentamento ao racismo”. Já para Ariran Albuquerque, a música foi fundamental em sua formação pessoal e, sobretudo, na compreensão do racismo, moldada a partir da sua vivência no Cedenpa que ocorreu desde a infância.

Com repertório autoral e parcerias com artistas próximos, a Banda Afro Axé Dudu constrói, em suas letras, narrativas sobre os Orixás, a beleza negra e a forma como ela é percebida no mundo, além de reafirmar sua religiosidade e a resistência do povo negro.

Durante a conversa, também relembraram o surgimento da Banda Afro Axé Dudu, uma de suas principais ferramentas de luta, e compartilharam experiências marcantes, incluindo episódios de racismo vividos durante apresentações no interior do Pará. Ainda assim, Ariran ressaltou a alegria ao perceber a conexão com o público: “é muito interessante essa comunicação que têm da gente com o público, e do público com a gente. Tem que ter essa troca boa de energia, e ela vem com o próprio Axé”.

Para ele, o significado vai além: “o Axé também é força. O “Axé Dudu” significa força negra, na língua Yorubá. Então, quando a gente fala Axé para uma pessoa, estamos desejando força para seguir a vida”.

Carregada de simbolismo e troca de experiências, a palestra evidenciou a potência da música como ferramenta de transformação social. Um momento que reafirma o Motins como espaço de resistência, memória e construção coletiva, atravessando a programação na Casa Dourada.

Foto: Wagner Filmes

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