Motins tem início dialogando a cultura pan-amazônica com o ciclo de vida do peixe Dourada e pedindo proteção para a biodiversidade dos rios da Amazônia
Começando o percurso da Dourada, o Motins iniciou sua programação com a palestra “O ciclo migratório da Dourada e a conservação das espécies”. Encabeçada por Bruna Suelen, articuladora cultural, artista, pesquisadora e uma das responsáveis pelo manifesto do Psica Dourado, a palestra também recebeu Guillermo Estupiñán, especialista em Paisagens e Recursos Aquáticos do WCS Brasil (Wildlife Conservation Society) que pesquisa e cuida da conservação aquática dos rios da Amazônia. Juntos, eles fizeram uma conexão importante para firmar a narrativa que o festival veste nesse biênio 2024-2025: os rios não são só a veia da biodiversidade, mas também carregam trocas culturais por todo este território.
Guillermo, que também tem a migração em sua história de vida, é natural do Peru e mora no Brasil há 30 anos desenvolvendo conhecimentos sobre a biodiversidade a partir do olhar da pesca, prática ancestral na região Amazônica. Ele comentou que o principal motivo da migração do peixe Dourada é manter sua existência, através da reprodução.
As barragens e a pesca foram mencionadas como as principais ameaças ao ciclo da Dourada, além das doenças causadas pelo mercúrio consumidos por nós através do peixe. Ele afirma que é necessário pensar em estratégias de difusão desse debate, que também perpassa o racismo ambiental, para assim conscientizar a população e encontrar alternativas de proteção da espécie.
Conexão foi a palavra que fundamentou o conceito do Psica Dourado. O peixe – que nasce no Peru, desce toda a extensão do Rio Amazonas para vir ao Estuário Amazônico e faz esse movimento de volta para onde nasceu – despertou processos poéticos na pesquisa feita por Bruna. Daí nasceu a metáfora para um movimento comum na cultura dos povos da Amazônia: o voltar para casa.
“Trago essa metáfora do voltar pra casa como uma reversão do olhar que nos é imposto para que a gente se enxergue como ‘de fora’. A palavra aqui é conexão, uma conexão da Pan-Amazônia, por que o peixe vê essa bacia da Pan-Amazônia como uma única bacia, e provoca que a gente volte a nos olhar e tenha autonomia e liberdade para criar nossos percursos a partir desse olhar”, comenta a diretora criativa do festival, Bruna Suelen.
Motins, que significa revolta, o povo em movimento, vem despertando conexões sobre cultura, ancestralidade, arte e celebração das nossas histórias. Com a apresentação de Norah Costa, multiartista, mulher preta vinda de Santarém, o evento teve início abrindo caminhos para três dias de fluxos imaginativos sobre este território Pan-Amazônico e sua cultura, celebrada por todos nós.
O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.