De onde nasce o Psica Dourado?

O olhar sensível ao cotidiano e a mente aberta às possibilidades do diálogo constroem o Festival Psica

Texto: Lorena Oliveira | Edição: Gustavo Aguiar | Foto: Liliane Moreira

Para discutir a criatividade que pulsa na Pan-Amazônia e os percursos que levaram à idealização do Festival Psica 2024, foi realizado o painel “O processo criativo do Psica Dourado”, no Parque da Residência, em Belém (PA), nesta quinta-feira (30). A conversa faz parte do Motins, um circuito de formação que integra o Festival Psica, e teve a participação de Jeft Dias, diretor do Festival, Bruna Suelen, diretora criativa do Festival, Vilson Vicente, ilustrador e artista visual, Verena Lea e Guilherme Takshy, da Caco Studio, e Fortunato Levy, diretor de arte do evento. Durante o debate foram discutidos como surgem as ideias, a importância da diversidade, o uso dos materiais, a criação das estruturas e as referências usadas na construção visual do Festival.

“O Motins surge pra gente apresentar o processo todo para pessoas verem a dimensão do trabalho. É muita planilha, são muitas reuniões e muitos encontros. Mas, esse espaço também é uma forma de ressaltar e parabenizar todas as pessoas que constroem esse festival, entendendo o papel de cada um.”, explica Zek Nascimento, mediador do painel.

Onde nasce o festival Psica? Esse é o questionamento que abre as discussões, nesse primeiro dia de Motins. As ideias e conceitos estão sempre conectados com o diálogo e as diversas realidades amazônicas. Para a edição de 2024, o ciclo da dourada foi a base para o desenvolvimento das cenografia e escolhas das atrações musicais que conquistaram o público. 

Jeft Dias, diretor criativo, explicou como surgiu a ideia. “Ouvir e contar histórias são hábitos que fazem parte de mim. Eles são uma influência no meu avô, um homem do interior que respirava aquela Amazônia mais profunda. Veio daí a vontade de contar sobre o ciclo da dourada, esse peixe que percorre um caminho enorme ainda desconhecido por muita gente. Ele sai lá dos Andes em direção ao Marajó. Eu sempre gostei muito de peixe, então eu fui unindo isso a outros conhecimentos, coisas de famílias, conversas”, lembra.

Depois da fase de concepção da ideia, é preciso compreender de que forma isso vai se materializar em um evento. Por isso, os diálogos e trocas culminaram em um trabalho conjunto com a área de design para definição de uma primeira peça, o cartaz de divulgação. Nesse momento, surgiram as referências que nortearam essa produção, como a Dourada como um ser divino, as águas e as paisagens costeiras como ambiente que fazem parte do caminho percorrido pelo peixe.  

O desenvolvimento das estruturas cenográficas que iriam compor o festival também exigiu trabalho em equipe, em diálogo com os conceitos alinhados no princípio da  formação conceitual do Psica Dourado. “A gente imaginou como se as pessoas fossem as douradas e que aquele espaço (Mangueirão) era onde o ciclo ia acontecer. Queríamos transportá-las para essa vivência, por isso fomos buscar materialidades e elementos que auxiliassem nessa composição visual.”, afirma Fortunato Levy, diretor de arte do Psica.

A pesquisa e o trabalho de campo envolveram o levantamento das paisagens, por meio de fotos, vídeos e outras formas de registros que pudessem contar um pouco sobre essa Pan-amazônia. Esse exercício do olhar requer experimentação, testes, erros e acertos. Surgiu aqui a ideia das redes, das luzes dos barcos, dos rios voadores, por exemplo. 

Como conclusão desse painel que reuniu diversas pessoas que construíram conceitualmente e visualmente esse evento, o sucesso do Festival Psica reflete dedicação e empenho de uma equipe, que já enfrentou muitas dificuldades para levantar um evento do zero. “Tivemos um começo difícil, com muita lágrima, muitos questionamentos, mas sempre com muita vontade de fazer dar certo. Por isso, hoje somos essa plataforma que amplifica vozes amazônicas”, pontuou Vilson Vicente, que assina a identidade visual do festival desde 2021.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.