Estratégias comunicativas que vão além dos manuais clássicos de marketing
Texto: Lorena Oliveira | Foto: Liliane Moreira
“É muito fácil fazer a comunicação do Festival Psica porque essa marca é muito forte nas pessoas que fazem parte dele. É uma rede ancestral que conecta a gente, com as nossas histórias, com as memórias, com as encantarias, com as feitiçarias. É por isso que esse sonho, que nasceu em duas pessoas, cresceu.” É assim que Gustavo Aguiar, diretor de comunicação do Psica, abre o painel “Psica e Psiquentos: como construir uma marca que tem propriedade”, realizado nessa sexta-feira, 31, no circuito de formação Motins.
Comunicar cultura é um projeto sensível porque lida com o que temos de mais valioso, as pessoas. Mas não só isso. São histórias, identidades, narrativas, sonhos, desejos. Quando a comunicação tem a proposta de falar de Pan-Amazônia, um território que vem buscando se reconhecer para além de um processo de violência e colonização, é preciso considerar o impacto que as linguagens adotadas vão ter.
Nossa história foi muito furtada. Desconhecemos muitos aspectos que nos formam, as comunidades que vieram antes, as origens dos costumes, detalhes da nossa ancestralidade. Isso nos leva a um lugar de distanciamento de nós mesmo e não reconhecimento, enquanto amazônidas. A proposta de comunicação do Psica surge nesse lugar.
Hoje, a habilidade de comunicar tem sido apropriada pelo capitalismo e transformada pelo lucro. Mas, será possível pensar um marketing sem capitalismo? O Psica é uma marca feita de gente, por gente e para gente. Gente preta, periférica, amazônida e com um objetivo: estreitar as conexões para além do lucro.
“Ficamos muito felizes em entregar um festival que as pessoas queiram viver, que as marquem de alguma forma. Mas, é um festival que nós queremos viver. Criamos e entregamos experiências que impactam no nosso íntimo.”, afirma Gustavo.

Apesar de falar do tema com carinho, o diretor aponta que desenvolver uma marca sólida que comunica cultura não é tão simples. O diálogo é estabelecido com as artes de mármore. Gustavo apresenta a comunicação de cultura como uma pedra de mármore bruta. Ela pode ser transformada em qualquer peça, para isso é necessário trabalho de lapidação. A comunicação do Psica é isso, os valores e as histórias amazônidas estão presentes em nós, nas ruas, nas músicas, nos rios, nas relações sociais. O olhar do comunicador precisa descobrir onde encontrá-los.
O trabalho investigativo é a primeira etapa desse processo. Quem eu sou? O que eu gosto de fazer? O que eu quero desenvolver com meu trabalho? Esses questionamentos ajudam na compreensão do indivíduo que está produzindo, porque comunicar é acreditar. A coragem de acreditar une as pessoas e é aqui que nasce o sonho, um sonho coletivo. O Psica é isso, é uma realidade que já foi sonhada por duas pessoas, que se uniram a muitas outras e continua unindo pessoas. Basta ir a uma edição para perceber. A união está nos palcos, nos bastidores, nos entornos, nas redes físicas e virtuais também.
Lidar com humanidades e comunicação é saber que esses processos são mutáveis. Tudo muda. Por isso, novos caminhos sempre vão sendo criados. A investigação e experimentação são as habilidades necessárias durante esse percurso, sem ter medo de começar do zero a qualquer momento. Esse percurso não é o mais fácil. Trilhar um caminho que já foi aberto, com estratégias que já vem dando certo, é mais seguro e rápido. Mas, para atingir as pessoas e produzir um impacto genuíno, é preciso se conectar com elas. E não tem como fazer isso com fórmulas prontas.
O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.