A relação entre a Pan-Amazônia é marcada pela música

O ritmo Cumbia é considerado um dos maiores gêneros musicais latinos já produzidos 

Texto: Lorena Oliveira | Foto: Liliane Moreira | Edição: Gustavo Aguiar

As musicalidades latinas são elementos importantes para compreensão das Amazônias, que envolvem vários países, culturas, povos e tradições. Assim, o painel “Conexão Cumbia Pan-Amazonica” explora as origens desse ritmo musical que nasce no Peru e se espalha por vários países, suas influências e os movimentos locais. Lucho Pacora, pesquisador peruano, apresentou como a cumbia se transformou ao longo dos anos e as referências que produziu no Brasil.

O brega e o carimbó já conquistaram o coração de muitas pessoas, em especial, no norte do Brasil. Mas, muitos desconhecem que esses ritmos têm influência da Cumbia, um som peruano que nasce de pescadores da zona rural. O ritmo mistura tambores, percussão e batidas dançantes que se transformam em músicas românticas e animadas. As ondas musicais logo rompem as fronteiras peruanas e chegam a países como México, Colômbia, Brasil e Estados Unidos. 

Segundo Lucho Pacora, a Cumbia começou a se estruturar a partir dos anos 30, por meio de nomes como a Orquestra Musical de Rioja. “Com o surgimento da Rádio Atlântida, nesse período, a musicalidade cumbia chegou a mais lugares, como Equador e Bolívia. O cantor Marcos Macedo é considerado um dos responsáveis pela popularização do ritmo caribenho com batidas misturadas ao soundsystem jamaicano.”, afirma ele.

No final dos anos 50, o mundo viu nascer o rock, que também influenciou a produção musical latina. A onda de Surf Cumbia foi o resultado dessa miscelânea e marcou a era dos grupos desse estilo, como o mais famoso Los Wemble’s. No Brasil, as ondas dançantes também reverberaram na criação dos grupos musicais influenciados por esse ritmo, a exemplo do “Los Reis do Samba” e na produção de álbuns como “Sons da Amazônia”, do cantor paraense Pinduca.

Com as inserções de batidas tecnológicas, produzidas em novas mixagens e influenciadas pela música eletrônica, o gênero Cumbia se redefiniu a partir dos anos 90. Nomes como Tito e Rossy War produziram músicas com uma sonoridade mais acelerada, unindo batuques do tambor com o balanço da salsa e lambada. Além disso, o protagonismo feminino também passou a ser notado, com a predominância de grupos de mulheres.

Apesar da riqueza historiográfica que a Cumbia oferece, muito desse conhecimento ainda não foi documentado. “Acho muito válido esse movimento de resgate e documentação da história da Cumbia que você faz. Percebo que ainda há muito conhecimento empírico envolvido, a gente precisa que isso esteja guardado, de fácil acesso.”, afirma a Dj e pesquisadora de música amazônida, Nat Esquema.

Assim, a experiência com história da Cumbia ensina que o rio é um grande corredor cultural, que recebe múltiplas contribuições indígenas, africanas, populares, migrantes, a natureza é a regra para manutenção da cultura pan-amazônica.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.