O Caribe estendido e as sonoridades da beira do rio

As influências do Caribe na musicalidade paraense foi o tema do terceiro painel do segundo dia de Motins

Texto: Frida Menezes | Fotos: Kléber José Jr. | Edição: Gustavo Aguiar

Com mediação de Iva Roth, artista e pesquisadora, o Motins reuniu o professor e pesquisador Edwin Pitre-Vásquez, especialista em Música Latino-Americana, Bruno Benitez, pesquisador paraense, e o Rei do Carimbó, Pinduca. 

Natural do Panamá, Doutor Edwin Pitre-Vásquez, professor, músico, pesquisador e produtor, apresentou sua pesquisa “O Caribe estendido: etnomusicologia dialógica”. Morador do Brasil há 47 anos, tem como tese o impacto da música caribenha no mundo. A pesquisa usa o conceito de Caribe Estendido para justificar as influências da cultura deste território em costumes de outros lugares, como o Pará, que tem como evidência desse contato a música, em sonoridades como guitarrada e lambada que se espalharam na Amazônia pelos rios.

Também presente no painel, um dos exemplos dessa mistura Brasil-Caribe, Mestre Pinduca falou sobre histórias dessa formação da musicalidade no Pará e sobre o acolhimento da música caribenha no estado. Além de exaltar sua cidade: “Belém é uma inspiração para o artista, cantor, escritor. Temos aqui uma praça que considero a mais bonita do Brasil, a Batista Campos […] é incrível você sentar ali e se inspirar, você sendo compositor você se inspira pra cada canto que você olha”. 

Como um mestre, Pinduca chega e conta muitas histórias. Contou, por exemplo, a história de como o Carimbó saiu de Marapanim e chegou em Belém nos grandes salões, depois de se espalhar pela região do Salgado. Mas também trouxe detalhes de quando, em 1973, teve a oportunidade de gravar um álbum e optou por fazer um álbum de Carimbó, gravando doze músicas em dois dias. E segue contando que foi dada a oportunidade de gravar um segundo disco, se o primeiro vendesse duas mil cópias. O sucesso superou as expectativas e mostrou a demanda pelo gênero popular com quinze mil discos vendidos no primeiro álbum. Popularizando, então, a música do interior para todo o estado. O resto da história vocês já conhecem.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.