Painel mostra como pensar uma imagem amazônica que vá contra as lógicas colonizadoras

Diferentes fazedores de audiovisual do Pará analisam os olhares sobre a Amazônia na perspectiva dos próprios amazônidas 

Texto: Frida Menezes | Foto: Kléber José Jr. | Edição: Gustavo Aguiar

No ano da COP30, é necessário pensar em que imagem passamos para quem é de fora. E para além disso, quem constrói essa imagem? É necessário nós mesmos ocuparmos esse local de fala e por isso, neste painel, foram convidados nomes importantes na cena do audiovisual: Luana Peixe, do Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus, Thiago Palaes, da Marahú Filmes, e Rodrigo Grilo, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, com mediação da atriz paraense Iza Moreira.

No debate de que estratégias podem ser usadas para proteger a essência amazônica, Rodrigo comentou sobre a necessidade de ter atenção aos processos históricos e o entendimento da trajetória da construção de políticas públicas para o audiovisual no Brasil. “Precisa reconhecer que a Amazônia tem um histórico em paralelo (ao do resto do Brasil), reconhecer que existem outras formas de fazer e de pensar”. Enquanto política pública, é recente o investimento nesse setor cultural, com duas décadas de história, o que faz ser um debate ainda mais necessário para que cada vez mais investimentos sejam feitos. 

Thiago Pelaes, que é co-fundador de duas produtoras em Belém, falou sobre sua experiência no acesso a políticas públicas e apresentou sua visão sobre a realidade de quem vive e trabalha com audiovisual na Amazônia. Para ele, pensar os acessos ao mercado do audiovisual é importante, mas também é preciso criar processos estruturantes para começar a pensar uma imagem para a Amazônia que ainda é distante do ideal, mas já apresenta mudanças nos últimos anos. “Sempre fomos um segundo escalão dos canais e das produtoras”, lógica que, para Thiago Pelaes, precisa ser quebrada. O filme Vatapá ou Maniçoba, da Marahú Filmes, estrelado por Iza Moreira, foi citado como um exemplo de subversão. O filme tem alcançado o streaming e até a TV aberta de forma muito natural, porém na contramão das principais produções nacionais produzidas no eixo Rio-São Paulo. “É um filme de ficção que fala sobre nossa cultura através do nosso olhar”, destaca.

Responsável pelo Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus, uma plataforma para o audiovisual originalmente amazônida, Luana chamou atenção para a responsabilidade do colonizador em construir uma imagem errônea da Amazônia e como isso repercute no imaginário nacional até hoje. Fazendo um paralelo com as falas dos outros convidados, contou sobre suas vivências relacionadas à mudança do cinema nos últimos anos, que não está mais nas elites econômicas e que agora temos também ferramentas para narrar a realidade: “Como a gente se vê e como a gente quer ser representado? São respostas que nós vamos construir”, conclui.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.