Como o fomento à cultura também fortalece a sustentabilidade na Amazônia?
Texto: Frida Menezes | Foto: Liliane Moreira | Edição: Gustavo Aguiar
Mediados pela jornalista Camila Barros, a Secretária de Cultura de Santarém, Priscila Castro, e o Secretário Adjunto de Estado do Mato Grosso, Jan Moura, bateram um papo sobre políticas públicas voltadas ao meio cultural no Brasil. Mais uma importante programação sobre cultura que compõe o Motins, que termina hoje mas deixa diversos ensinamentos para aqueles que participaram.
Priscila Castro compartilhou suas experiências nestes 15 anos envolvida na produção cultural e como cantora. Se apresentou no Festival Psica em 2024 como cantora, é mãe e mora em uma comunidade do interior de Santarém, tem contato com a cultura desde criança. Coordena há 10 anos o projeto Sementes Musicais, foi a primeira mulher a ser Conselheira Municipal de Cultura. Conseguiu seu cargo com articulação política, ocupando espaços necessários aos fazedores de cultura.
A secretária trouxe para o debate político as dificuldades de quem fica de fora dos grandes eventos: “Quando a gente traz esse recorte pro Oeste, pro Baixo Amazonas, a gente pensa e perpassa por outras dificuldades que com certeza são semelhantes a quem faz cultura aqui e é artista independente”. Além dos recortes de gênero, raça, entre outros atravessamentos, que sempre são necessários de se pensar. Sobre estar no Oeste do Pará, longe da capital, um ponto importante ressaltado foi pensar em orçamentos que cheguem nesses locais: “o custo Amazônico voltou a ser debatido no Congresso mas ainda é uma pauta não finalizada”.

Jan Moura, secretário Adjunto de Cultura da Secretaria de Estado de Esporte, Cultura e Lazer do Mato Grosso, relembrou como as políticas culturais são recentes no Brasil: “cultura como direito ainda é algo em construção, a gente não pode desanimar e ainda vamos construir esse castelo”. Também comentou sobre como a valorização da cultura tem que ser feita pelos cidadãos e entendida como direito por todos. “É preciso enxergar (as políticas públicas de cultura) como instrumento de combate às desigualdades. Ao invés de premiar os melhores, deveria ser uma lógica inversa e premiar os que foram mais difíceis de serem executados”.
Priscila, que também trabalha com gestão pública, comentou sobre como tudo perpassa pela política: “Quando se fala em cultura não se fala apenas de teatro, dança, em linguagens, mas se fala de um ato político”. O que demonstra a importância de debates como esse serem feitos para fomentar a criação de um espaço político que proporciona conversas, espalhando a palavra para a população também reconhecer a cultura em forma de ato político.
Além de política, a produção cultural na Amazônia não pode ser desvinculada da conexão com a natureza, servindo também de ferramenta de preservação ambiental. “Estamos num contexto de emergência climática, mas ainda sinto distante esse debate como se a cultura não sofresse as consequências. A cultura é afetada quando um rio seca e a população que ali mora muda sua cultura, seu modo de comer, dormir, sua vida”, comentou Priscila. Jan complementou reafirmando o valor dos nossos ancestrais para a manutenção da natureza, sua cultura e o desenvolvimento de um cultura sustentável: “A manutenção das culturas tradicionais é necessária para essa sustentabilidade”.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.