Palestrantes: Bruno Pantoja e Denise Aparício
Interpretar uma música inteira na Língua Brasileira de Sinais (Libras) está longe de ser uma tarefa simples. A tradução artística exige preparação, técnica, contexto e performance. Na palestra “Libras Artísticas: Tradução e Coautoria”, os intérpretes e tradutores de Libras Bruno Pantoja e Denise Aparício transformaram a Casa Dourada em palco de suas experiências e reflexões, levantando um debate importante sobre acessibilidade.
Sendo uma ferramenta essencial para a inclusão de pessoas surdas, os palestrantes destacaram que o planejamento de shows e festivais precisa considerar, desde o início, a presença de profissionais de acessibilidade em todas as etapas da produção. Inclusive, um dos principais pontos levantados por Bruno diz respeito aos ensaios. Segundo ele, cada espaço carrega diferentes capitais culturais, o que exige dos intérpretes uma preparação específica de acordo com o contexto em que irão atuar. “Quando a gente é convidado para o ensaio, isso alivia muito a nossa tensão, o nosso nervosismo, porque não ficamos tão apreensivos com todo aquele capital cultural”, pontuou o intérprete.
Os palestrantes também abordaram as dificuldades de inserção da acessibilidade em produções audiovisuais. Segundo eles, por vezes, o tema não é tratado com a devida importância. “A equipe, seja de show, teatro ou audiovisual, precisa entender que a acessibilidade deve estar presente desde o início do projeto”, afirma Denise.
Entre os desafios enfrentados, a questão orçamentária também se destaca. Bruno e Denise relataram como a limitação de recursos impacta diretamente suas condições de trabalho, muitas vezes ferindo princípios éticos da profissão, com salários defasados e cargas horárias excessivas.
Apesar disso, ambos reconhecem avanços no debate ao longo do tempo. A palestra contribuiu para dimensionar a importância do tema, especialmente no contexto local, evidenciando os principais desafios enfrentados por intérpretes e tradutores de Libras.
“Libras não é um acessório, é um direito linguístico de acessibilidade”, reforçou Denise.
Denise Aparício é doutoranda em Estudos Linguísticos (UFPA), mestre em Linguística (UFPA), especialista em LIBRAS (FAEL) e em Tradução e Interpretação de LIBRAS-Português (FATECH). Além de bacharel em Letras LIBRAS (UFSC), graduanda em licenciatura em Letras LIBRAS (UFSC) e Letras Português (Única), presidente da Associação de Tradutores Intérpretes de Língua de Sinais do Pará (Astilp), e ex-membro da Comissão de Audiovisual e mídias da Febrapils.
Bruno Pantoja é tradutor e intérprete de LIBRAS, formado em Licenciatura em Letras-LIBRAS e pelo curso PROFORM TILS, pela UFPA. Atua com LIBRAS artística há mais de cinco anos. É fundador da DIVERSITILS, empresa de serviços de acessibilidade. Está como TILSP no IFPA e já atuou no Festival Psica, no Festival Se Rasgum, no Arraial do Pavulagem, em peças teatrais e em outros eventos artístico-culturais.
Foto: Wagner Filmes