Palestrante: Beto Metralha
Na tarde do segundo dia de Motins, o Salão Voz Coletiva da Casa Dourada recebeu a palestra “Produção Musical na Periferia – Como o tecnobrega revolucionou a indústria fonográfica da Amazônia”. Precursor do tecnobrega no Pará, Beto Metralha falou sobre a cena que inverteu a lógica da indústria musical brasileira, ao democratizar a produção por meio de um circuito independente. Marquinho Pará, produtor, compositor e cantor, também participou, compartilhando suas experiências.
“O que fez essa música se transformar, foi a criatividade e a vontade do artista periférico de se transformar”, destacou Marquinho. Ele abordou o processo de transformação do gênero, além de relembrar as dinâmicas de gravação e divulgação ao longo do tempo.
O tecnobrega nasceu nas periferias, com DJs e aparelhagens atuando como principais agentes de difusão nas festas. Através da venda de CDs conhecidos como “piratas”, o ritmo se espalhou pelo estado e alcançou também regiões vizinhas. Hoje, o gênero conquistou maior visibilidade, com diversos hits conhecidos em todo o Brasil e até internacionalmente, além da presença das aparelhagens em festivais como o Psica.
“Não temos muito incentivo, então procuramos fazer com baixo custo. Para difundir mais o tecnobrega falta um pouco de união. As grandes gravadoras não olham para os artistas de periferia, que têm muito talento”, comentou Beto, ao refletir sobre os desafios de reconhecimento do gênero.
Sobre o momento atual do tecnobrega, também foram discutidas as estratégias que mantêm a cena ativa, como a circulação de sets no YouTube, que muitas vezes são disponibilizados poucos dias após as festas.
DJ Beto Metralha, renomado produtor musical e um dos precursores do Tecnobrega no Pará, é diretor audiovisual e fundador do AVD Studio, com quase 30 anos de atuação no bairro do Jurunas. Foi responsável pela produção e lançamento dos CDs icônicos da Banda TecnoShow, que revelou ao Brasil talentos como Gaby Amarantos e DJ Maluquinho. No audiovisual foi diretor de vários DVDs de tecnobrega.
Foto: Thais Verônica