Fafá de Belém, Félix Robatto, Felipe Vassão e Gil Sóter batem papo sobre a música amazônica e sua potência
Texto: Frida Menezes | Fotos: Liliane Moreira | Edição: Gustavo Aguiar
No painel “Como a produção musical amazônica pode chegar mais forte no mundo”, nomes de peso com vasta experiência no mundo da música compuseram nosso palco com seus saberes. Com mediação da jornalista Gil Sóter, editora do G1 e mulher amazônida, os convidados Félix Robatto, guitarrista e percussionista, Fafá de Belém, cantora e compositora, e Felipe Vassão, produtor musical e criador de conteúdo, trocaram ideias sobre suas vivências no mundo da música, compartilhando histórias com o público do Motins.
Fafá de Belém, grande nome da música paraense que conquistou o país inteiro, falou que a falta de valorização dos próprios nortistas influencia como quem é de fora nos vê. Além de comentar como o Festival Psica contribui em subverter essa lógica: “O Psica tem uma importância fundamental de criar uma nova cena de quem somos”.

Como por exemplo quando temos carimbó no palco principal e aparelhagens em todos os dias de festival, assim buscando difundir a cultura local, que, como comentou Fafá, comumente não é vista como música nacional e sim como música regional, o que leva à desvalorização, fazendo-se necessário mudar esse pensamento.
Já Félix Robatto relembrou sua pesquisa sobre a guitarrada, que mistura rock, poesia e música regional. Ainda numa época sem internet e sem muitas pesquisas sobre, Félix foi pioneiro no assunto e até hoje é um dos maiores nomes que são ligados ao gênero. Por isso, ele pode ser um dos que consegue responder à questão “como se estabilizar na cena local?” Sua trajetória é longeva e premiadíssima, viajando pelo mundo todo divulgando a guitarrada, ganhando prêmios internacionais como produtor musical, como o Grammy Latino, além de ser fundador da Lambateria, festa e festival que celebram a música latino-amazônica.
Felipe Vassão, que já produziu nomes como Chitãozinho & Xororó, Pabllo Vittar e também Gaby Amarantos, artista nortista vencedora do Grammy Latino, grande nome do estado do Pará, trouxe o ponto de vista de fora da região, enquanto sudestino, de como a música amazônica adentrou o mainstream através de grandes nomes, exaltando os nossos gêneros: “vocês não precisam do aval para serem essa potência que vocês já são”.

Em diálogo, os três convidados ressaltaram maneiras de como é possível valorizar a rica cultura presente na Amazônia, e lidar com a falta de noção da potência musical presente aqui. Ressaltando a importância do fomento através de investimentos na música e na cultura, sobre disponibilizar locais com boa estrutura para shows, além de incentivar a valorização da nossa música pelos nossos e pelos de fora.

O Festival Psica Dourado tem patrocínio máster da Petrobras, do Nubank e patrocínio do Mercado Livre através da Lei de Incentivo à Cultura Rouanet e Ministério da Cultura. O apoio institucional é da Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. A realização é da Psica Produções, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução.